Mapas do caminho repercutem positivamente entre ambientalistas


Como ferramentas que poderão ser usadas tanto por governos, como por empresas e organizações sociais, os mapas avançam para a implementação de tudo que já foi negociado nos espaços multilaterais que tratam de mudanças climáticas, explica Claudio Providas, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (Pnud).
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“A presidência brasileira da COP30 demonstrou liderança. Com esses dois mapas do caminho, o Brasil faz uma contribuição importantíssima no multilateralismo. Em vez de reabrir negociações sobre compromissos já assumidos, propõe caminhos para transformar consensos existentes em ação”, ressaltou.
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Para além da liderança global no enfrentamento às mudanças climáticas, Ricardo Fujii, especialista em transição energética da organização ambiental WWF-Brasil, destacou a capacidade do país de ser um exemplo a ser seguido no distanciamento dos combustíveis fósseis e no uso do mapa do caminho como uma estratégia de desenvolvimento.
“Temos uma matriz predominantemente renovável, diversidade de fontes - hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e biocombustíveis - e cadeias industriais já instaladas. Ampliar o uso dessas fontes é uma escolha competitiva, que gera emprego, renda e desenvolvimento em diferentes regiões do país’, avalia.
Para Stela Herschmann, líder em política internacional do Observatório do Clima, o mapa para longe dos combustíveis fósseis chega em resposta à urgência e à complexidade da transição, com caminhos possíveis.
"Acabaram as desculpas. Cada país pode e deve fazer seu diagnóstico para se situar nesse mapa e começar a lição de casa já”, defende.
A diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, considera que o mapa para o fim do desmatamento e degradação florestal chega com a credibilidade de um país que foi capaz de menor taxa de desmatamento de sua história.
Com esse conhecimento, Carolina considera que o Brasil é capaz de contribuir para a construção de um senso de urgência que resulte em uma ação coletiva global e coordenada para acabar com a destruição florestal.
“A parte mais desafiadora começa agora, [que é] garantir um processo de seguimento para o mapa do caminho que seja capaz de elevar a centralidade política dessa agenda e, ao mesmo tempo, acelerar sua implementação, com participação direta e real da sociedade civil, em especial dos Povos Indígenas e comunidades tradicionais”, destaca Carolina Pasquali.
Os mapas são instrumentos de implementação que foram além do processo negocial entre os países e foram assumidos pela liderança brasileira onde nasceram a Conferência do Clima, junto com a da Biodiversidade e a da Desertificação, destacou a ex-ministra de Meio Ambiente e Mudança do Clima e deputada federal Marina Silva.
“Não consigo imaginar como estaria o mundo sem a Eco 92, sem as convenções, sem os esforços que foram feitos”, reforça.
Marina Silva destacou que naquele ano de 1992 as projeções seriam de que o planeta aqueceria até 4 °C acima da temperatura pré-industrial, e os esforços fizeram com que as perspectivas chegassem ao fim do século com um aquecimento de 2 °C.
Apesar de ainda não serem 1,5 °C, limite que garantiria menos impactos globais conforme a ciência, Marina Silva afirma que a trajetória das ações multilaterais já demonstrou que é possível reverter um cenário de catástrofes.
“No caso do Brasil, a grande contribuição é algo que a gente está celebrando muito, a redução do desmatamento que mexeu o ponteiro global para uma redução de 15% no desmatamento no mundo”, afirma.




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