Jose Carlos de Assis

Trump tenta segurar Bolsonaro enquanto empurra o Brasil para os braços da China

Colabore com a manutenção da TRIBUNA DA IMPRENSA: pix@tribuna.com.br
Trump tenta segurar Bolsonaro enquanto empurra o Brasil para  os braços da China Imagem desenvolvida por IA

J. Carlos de Assis

É uma sorte que tenha surgido na Casa Branca, como se egresso de uma densa floresta anterior ao dilúvio, uma figura como o neandertalense Donald Trump, que acha que é possível mudar a História apenas por sua arrogância. Sorte, porque, sem ele, muitos atlantistas que ainda existem no Brasil, fascinados pelas atrações europeias, continuariam resistindo a escapar do imperialismo decadente e a aproveitar as chances que o presidente norte-americano nos abre na Ásia.

De fato, estão nos países asiáticos, a partir da China, as chances que se abriram para o desenvolvimento sustentável do Brasil em condições não subordinadas a qualquer nação. Essa abertura, feita inicialmente pelos pioneiros do agronegócio e do minério de ferro, ainda encontrava muita resistência. Isso se devia a preconceitos relativos a nossas relações com um País governado por uma república popular, que se diz comunista, mas que de fato é uma nação capitalista governada pelo Estado.

Trump está lançando nos braços da China e de outros países asiáticos não só o Brasil, mas vários outros, inclusive europeus, que estão ficando sem espaço na economia para sustentar suas condições de vida. As tarifas arbitrárias do grande magnata, comparsa de Netanyahu no assassinato de milhares de crianças e mulheres em Gaza, estão virando o mundo de cabeça para baixo no plano comercial, mas isso inexoravelmente reverterá na forma de redução do PIB e da renda em seu próprio País.

As cadeias produtivas estão estraçalhadas, o que prejudica a economia norte-americana, que depende delas para se colocar em movimento. O emprego está em risco para milhões de cidadãs e cidadãos. A exportação de imigrantes deixou sem mão de obra boa parte do setor de construção. Isso se reflete nas pesquisas de opinião honestas, não as forjadas pelo próprio Trump, que revelam uma brutal queda do seu prestígio junto à opinião pública. O Partido Republicano, se não impuser à Casa Branca uma virada de rumo, perderá as eleições legislativas do próximo ano.

Como não perde uma oportunidade de aparecer na tevê, a cada semana, Donald Trump direcionou suas baterias, agora, contra o Brasil, os BRICS e o Supremo Tribunal Federal. O arranjo certamente foi feito por seu filho e cúmplice, Eduardo Bolsonaro, que conspira abertamente junto a parlamentares do Partido Republicano nos Estados Unidos contra seu próprio País. Corretamente, o impávido ministro Alexandre de Moraes manteve o inquérito aberto contra ele, no Supremo, contra a conspiração.

A família Bolsonaro não é propriamente uma família, mas uma organização criminosa. Sua presença na política é uma aberração, só explicada pela imensa desinformação que prevalece no Brasil junto aos eleitores. Por isso, entendo que Lula agiu corretamente, ontem, ao pedir ao povo que escolha bem seus candidatos ao Congresso. Isso, a meu ver, deve dar o tom nas eleições de 2026. Os cidadãos e cidadãs mais responsáveis deverão dar mais atenção à eleição proporcional do que à eleição para presidente.

Não quero me concentrar em ataques a pessoas, mesmo porque, no meu entender, o que coloca em risco o destino do Brasil é um processo de restauração do nazismo e do fascismo que ocorre em grande parte do mundo. Partidos de direita ou de extrema direita têm ganhado eleições na Hungria, na Itália, na Alemanha, na Argentina e na maior potência militar e econômica do planeta, os Estados Unidos. Essa onda pode chegar ao Brasil, e isso seria um desastre imensurável.

Trump está sinalizando concretamente que vai se meter nas eleições brasileiras de 2026. Com sua impertinente defesa de Bolsonaro, um golpista que todo o povo brasileiro testemunhou como tal pelas transmissões de televisão, e que está agora sob julgamento, por certo colocará a poderosa máquina de espionagem e de guerra híbrida da Casa Branca a favor dos fanáticos fascistas que seguem o ex-presidente. Muito dinheiro e muitas bigtechs estarão envolvidas nisso. Nossa democracia terá de tomar suas precauções.

A melhor maneira de fazer isso é assumir, desde já, um compromisso de pedagogia eleitoral para esclarecer eleitoras e eleitores sobre o significado dos pleitos, e a importância deles em termos materiais. O que o povo quer, em essência, é “casa, comida, roupa e sapato”. Não promessas abstratas de demagogos. Já disse que não tenho partido, que não me considero de direita ou de esquerda, ou mesmo de centro. Minha ideologia é nacional desenvolvimentista, apoiada não em ideias abstratas, mas no propósito de contribuir para a melhora das condições de vida do povo. É isso que significa o lema “Vamos fazer o Brasil Grande de Vez”.

Entendo que o caminho para isso é estimular os cidadãos e cidadãs mais conscientes a orientar a população para organizar, de baixo para cima, na forma de Sociedades Anônimas, e sem esperar pelo Governo, arranjos produtivos locais, regionais e vocacionais que garantam sobrevivência digna aos trabalhadores que venham a atuar neles. Os arranjos superam num nível superior o capitalismo degenerado pelo consumismo e pela degradação ambiental com as aspirações socialistas não realizadas. Por isso os chamamos de sociocapitalistas.

É esse tipo de sociedade que visualizamos para o Brasil no futuro, com menores conflitos sociais e políticos, na medida em que capital e trabalho, reunidos numa mesma Sociedade Anônima, sob controle desse último, realizam na prática o ideal da vida cooperativa e sem atritos. Disse em artigo anterior e reafirmo que, num arranjo em que o trabalhador é sócio, desaparece a razão para luta de classes, na medida em que o trabalhador não vai lutar contra seus próprios interesses na qualidade de acionista.

Esse mundo não estará ao alcance do presidente neandertalense dos Estados Unidos, pois sua extrema arrogância jamais lhe permitiria partilhar com trabalhadores comuns o controle de suas empresas. Estará condenado a ficar sem eles, num momento do futuro não muito distante, porque os empregados que lhe servem agora migrarão para arranjos produtivos onde ganharão mais por sua própria decisão, além de participarem dos lucros.

Pode ser que esta venha a ser a paz perpétua de Kant, ou mais um avanço da História em forma de síntese que exigirá posteriormente uma antítese. Em qualquer caso, a História avançará, pois pela própria experiência milenar sabemos que ela nunca recua. As tentativas de Donald Trump de fazer o mundo voltar ao século XIX estão condenadas ao fracasso. O MEGA, Fazer a América Grande de Novo, se tornará MALF, Fazer a América Pequena para Sempre.



COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.