Para minimizar impacto da seca, ONS recomenda acionamento das usinas termelétricas

Para Operador Nacional do Sistema Elétrico, o impacto do Horário de Verão seria residual
Diante da seca histórica que assola o Brasil, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) encaminhou ao Ministério de Minas e Energia recomendações para garantir o abastecimento de energia elétrica neste ano. Para o Operador, o retorno no Horário de Verão surtiria um impacto residual no abastecimento de energia.
A nota técnica do ONS, segundo O Globo, recomenda a ampliação das operações das usinas termelétricas, tanto das que já estão com contratos fixos quanto das plantas que têm independente, sem vinculação ao sistema interligado nacional.
A flexibilização permitiria uma gestão energética em conformidade com os horários de pico do sistema, com a possibilidade do acionamento de térmicas mais caras, caso necessário, uma vez que são mais seguras do ponto de vista de abastecimento.
Por conta do primeiro turno das eleições, o Horário de Verão, mesmo que traga apenas resultados simbólicos, só seja implantado em novembro, a pedido do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para não atrapalhar as eleições.
O Governo Federal está especialmente preocupado com os horários de pico, à tarde, quando o calor é mais intenso e o uso de ar-condicionado é frequente, e no momento de transição para a noite — momento de baixa na geração das usinas eólicas e solares.
O ONS avalia, que nesses momentos, pode ser necessário usar a “reserva” operativa do sistema. O Operador avalia ainda o uso da energia importada da Argentina e do Uruguai, durante o período seco; além do acionamento do Programa de Resposta da Demanda (PRD) como recurso adicional para operação do sistema elétrico.
De acordo com o jornal O Globo, pelo PRD, para garantir a segurança do sistema, grandes empresas consumidoras poderiam paralisar o consumo para economizar eletricidade – iniciativa que é remunerada em valores firmados por meio de leilões. Técnicos do setor avaliam que a medida é menos custosa e mais segura do que gerar energia por fontes mais caras, como térmica a óleo.
De acordo com o levantamento do ONS, a volta do Horário de Verão deve reduzir o consumo em 2GW, estimativa média, durante o pico noturno. O valor representa uma redução de pouco mais de 2% da carga nesse horário.
Para tentara driblar falhas no abastecimento, o Operador Nacional sugere que a usina de Porto Primavera (SP-MS), cabeceira do sistema Sudeste/Centro-Oeste, continue com a sua vazão reduzida, para guardar água até o início das chuvas.
O planejamento do ONS é semelhante ao adotado na crise de 2021, quando os reservatórios apresentavam baixos níveis, e o Brasil passou a enfrentar falta de água nas hidrelétricas.
Uma das medidas já adotadas e que pode ser retomada é mudança dos critérios de segurança da transferência de energia do Nordeste para outras regiões. Essa e outras iniciativas podem ser acionadas para garantir o abastecimento ainda para este ano e 2025. Para setembro, a previsão é de um fluxo de água abaixo da média histórica em todo o Brasil.
Essa entrada de água, representa apenas 43% da média histórica, em todo o Sistema Interligado Nacional – o segundo menor valor para o mês em 94 anos. O Governo Federal teme que não chova o suficiente para alimentar os reservatórios cujos níveis de água estão abaixo da capacidade. Caso a chuva não venha, e o Brasil entre no período seco de 2025 com pouca água nas hidrelétricas, o País pode registrar uma nova crise de abastecimento.
Patricia Lima
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