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Venezuela em perigo

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Venezuela em perigo

O que falar sobre a atual situação da Venezuela?


Bem, por estarmos no Brasil, onde ainda somos uma democracia, podemos falar muito. Embora a democracia brasileira não seja perfeita, somos uma democracia onde ainda há liberdade de expressão, desde que exercida com responsabilidade e seja baseada na verdade. Mas o que é a verdade se não um conceito subjetivo e relativo, como já afirmava o filósofo sofista grego Protágoras: “a verdade é apenas uma construção humana; toda verdade é relativa a algum ponto de vista e nenhuma verdade pode ser tomada como absoluta”. Lembrando que o ser-humano é falho e imperfeito, logo a verdade teria caráter subjetivo, do próprio ponto de vista do homem.


Mas voltemos a falar da Venezuela… no último dia 28 de julho de 2024, os venezuelanos foram para as ruas para realizar o seu direito de votar, na esperança de transformar seu país em uma democracia. Cerca de 59% do eleitorado, ou seja, 12.582.373 eleitores registrados, participaram. Segundo as próprias fontes do sistema eleitoral Venezuelano, Maduro obteve 5.159.920 votos, contra 4.445.978 votos de González; e o terceiro lugar teve pouco mais de 460 mil votos. Fazendo uma conta rápida, a diferença entre o primeiro e o segundo lugar é de pouco mais de 713.000 votos. Se formos somar os votos desses três candidatos, teremos 9.606.358 votos; mas a pergunta que deve ser feita é: onde estão os eventuais 2.976.015 votos? Até o momento que fora declarada a vitória de Nicolás Maduro Moros como presidente, permanecendo mais 6 anos no poder, esses votos ainda não haviam sido contabilizados, conforme fora apresentado pelo economista Alejandro Grisanti do Barclays Capital Inc.


Obviamente esses poderiam ter ido tanto para um como para outro em sua totalidade; poderiam ter ido proporcionalmente ou de outras tantas formas; porém o que deve ser apontado é que eles seriam importantes e a vitória não era conclusiva naquele momento. E esse é o principal ponto apresentado pelos oposicionistas liderados por Freddy Superlano; sendo que esteja já foi preso e seu partido, Voluntad Popular, está afirmando que foi sequestrado e silenciado pelo governo de Maduro. Aliados de Maduro também pedem a prisão de Corina Machado e Edmundo González e de outros líderes da oposição.


Essa é a real democracia da Venezuela, onde os opositores são presos, silenciados, descartados e a população continua sofrendo na pobreza, com mais de 50% da população vivendo nessa persistente desigualdade. E é por causa desse sistema que milhares estão fugindo para Colômbia, Peru, Chile, Equador, Argentina e Brasil. Quase dois milhões de refugiados estão fora das garras do governo de Caracas; porém muitos tiveram que abandonar seus familiares na esperança de um dia retornar à sua pátria, ou na promessa de criarem condições melhores nos novos lares para poder resgatar seus entes queridos.


Na real democracia Venezuelana, durante as eleições, as fronteiras foram fechadas, a imprensa internacional foi cerceada no seu direito de transmitir imagens em tempo real, observadores internacionais eram observados constantemente ou simplesmente eram obrigados a voltar. Na real democracia de Caracas, Maduro afirma, em comício em Caracas, que se seu partido não vencer terá um “banho de sangue fratricida.”.

O que falar sobre a atual situação da Venezuela? A população está questionando as atas que comprovam os votos, pedindo os documentos. Chefes de Estado estão divididos. Os tradicionais apoiadores de Maduro logo reconheceram nas primeiras horas a vitória; os países que questionam a “democracia” de Maduro não reconheceram e afirmam que a fraude foi escancarada. Mas e o Brasil? O presidente Lula foi aconselhado a esperar o resultado oficial da apuração das eleições; porém há quem diga que ele esteja dando tempo para o tradicional aliado Maduro terminar de forjar as provas de um pleito estranho e transformá-lo em legítimo.


Devemos lembrar que Maduro ainda foi principal ator de outro episódio polêmico nos últimos dias ao questionar a legitimidade da urna eletrônica brasileira; alegando que ela não tinha a mesma complexidade e segurança de apuração e conferência tal como existe no sistema eleitoral de seu país ao afirmar: “no Brasil, nem um único boletim de urna é auditado”. Diante das falsas alegações do líder venezuelano, o Tribunal Superior Eleitoral desistiu de enviar observadores para acompanhar a Comissão Nacional Eleitoral daquele país. Ao afirmar essa polêmica, Maduro pôs uma pá de descrédito nas eleições brasileiras e até mesmo na eleição do seu histórico aliado Luís Inácio Lula da Silva contra Jair Messias Bolsonaro.


Na sua luta pela permanência no poder, Maduro expulsou embaixadores e diplomatas de 7 países que questionaram sua vitória, além de ordenar um patrulhamento policial e militar porto do país. Em meio a ondas de protestos contra os resultados eleitorais da eleição presidencial, 11 pessoas foram mortas e centenas foram presos. Há diversos questionamentos a serem feitos, ainda mais pelo fato de a oposição afirmar que a Comissão Nacional Eleitoral estar no bolso de um governo ditatorial. Nenhum Organismo Internacional reconheceu ainda o resultado da apuração dos votos; poucos tiveram acesso às atas de voto – os nossos boletins de urna eletrônica.


Como aceitar um resultado em meio ao caos?


Não se deve aceitar; todas as provas devem ser apresentadas. Resta-nos torcer para que o povo venezuelano tenha força na sua luta em defesa à democracia, resista nos protestos contra a ditadura e tenha todo apoio internacional, até mesmo para evitar novas ondas de emigração para os países limítrofes e novas mortes. Gostaria de lembrar que Muammar Gaddafi, também muito apegado ao poder, enfrentou fortes protestos, foi capturado e morto pela população, ainda que estivesse cercado pelo apoio incondicional dos militares. Em breve veremos uma Primavera da Venezuela???


Gaius Iulius Caesar – Militar, Político, Tribuno, Cônsul, Ditador (mas na época de Caesar, esse título era atribuído ao mais alto magistrado extraordinário na República Romana) e considerado pai do jornalismo junto com Johannes Gutenberg.


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