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O favorito existe. A eleição, ainda não


O favorito existe. A eleição, ainda não Tribuna da Imprensa

A nova rodada do Paraná Pesquisas apresenta duas fotografias diferentes da eleição para o Governo do Estado do Rio de Janeiro. Quando os nomes são apresentados, Eduardo Paes lidera com folga. Quando a pergunta é espontânea, boa parte do eleitorado ainda não aponta candidato.


É nessa distância que está um dos dados mais interessantes do levantamento. A pesquisa, registrada no TSE sob o número RJ-02422/2026, ouviu presencialmente 1.600 eleitores em 58 municípios, entre 22 e 24 de agosto. A margem de erro estimada é de 2,5 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%.


PAES NA FRENTE

No principal cenário estimulado, Eduardo Paes aparece com 44,5%. Douglas Ruas tem 15,5%, Garotinho, 11,6%, e André Marinho, 3,1%.


Sem Garotinho, Paes alcança 48,3% e Ruas, 18,6%. Não há razão para relativizar o dado: hoje existe um favorito claro na disputa pelo Palácio Guanabara.


A pesquisa espontânea, porém, conta outra parte da história. Sem uma lista de candidatos, Paes é mencionado por 19,1%, Ruas por 7,1% e Garotinho por 3,1%. Nada menos que 61,6% não sabem ou não opinam, enquanto 6,7% respondem ninguém, branco ou nulo.


Isso não significa que 61,6% estejam disponíveis para qualquer candidatura. Pesquisa espontânea não é sinônimo de indecisão. Mas mostra quanto os nomes já estão — ou ainda não estão — incorporados à escolha do eleitor.


A liderança de Paes está muito mais consolidada na estimulada do que a própria eleição está na lembrança espontânea.


RUAS E GAROTINHO MOSTRAM DESAFIOS DIFERENTES

Douglas Ruas ocupa hoje o segundo lugar e apresenta alguns recortes interessantes. Chega a 18,1% entre homens, 18,4% entre eleitores com ensino superior e 20,3% entre aqueles que participaram recentemente de celebração religiosa.


Ainda está muito distante de Paes, mas começa a revelar onde sua candidatura encontra maior aderência.


Garotinho enfrenta outro problema. Mantém 11,6% na estimulada, mostrando que conserva eleitorado, mas registra 40,3% de rejeição, a maior entre os nomes pesquisados. Paes aparece com 25,3%.


Garotinho começa, portanto, com voto conhecido e resistência igualmente conhecida. O desafio será descobrir até onde consegue ultrapassar essa fronteira.


O SENADO ESTÁ MAIS ABERTO

Para as duas vagas ao Senado, Benedita da Silva aparece com 29,6%, Marcelo Crivella com 21%, Pedro Paulo com 16,4%, Carlos Jordy com 11,9% e Carlos Portinho com 10,6%. Como o eleitor pode escolher até dois nomes, os percentuais não devem ser lidos como numa eleição para governador.


O dado mais revelador está novamente na espontânea: 81,4% não sabem ou não opinamAqui, o tabuleiro parece muito menos organizado. Campanha, alianças, exposição pública e presença territorial ainda podem alterar bastante a disputa.


O TABULEIRO AINDA SE MOVE

A pesquisa de agosto não mostra uma corrida equilibrada para governador. Mostra Eduardo Paes claramente à frente.


Mas liderança não é sinônimo de eleição encerrada. Nas próximas rodadas, valerá observar menos a fotografia isolada e mais o movimento: se Paes cresce espontaneamente, estará transformando reconhecimento em consolidação; se os adversários avançam, estarão começando a ocupar espaço próprio na cabeça do eleitor.


E, quando os 61,6% que hoje não mencionam espontaneamente um candidato começarem a se distribuir, teremos uma fotografia muito mais nítida da eleição que o Rio decidiu disputar.


Por enquanto, o favorito está definido. O restante do tabuleiro, não.




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