Dra. Débora Leite

A compulsão por jogos e cuidado

Uma vida sem excessos para adolescentes e adultos

Imagem gerada por IA
A compulsão por jogos e cuidado Pix para doação: esportemaisinclusivo@gmail.com

Nos dias de hoje, vivemos constantemente envolvidas em inúmeras atividades de trabalho e para os jovens as redes sociais são espaços também de muito envolvimento, frente a isso, necessitamos cuidar para que determinados hábitos não virem compulsão. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é conceituado na psicopatologia contemporânea como um transtorno de regulação cognitivo-comportamental, em que a experiência subjetiva da pessoa é marcada por obsessões recorrentes e intrusivas e compulsões ritualísticas que visam reduzir a ansiedade associada. As obsessões podem envolver medos irracionais de contaminação, dúvidas persistentes, necessidade de simetria ou pensamentos agressivos e proibidos, enquanto as compulsões representam tentativas comportamentais ou mentais de neutralizar ou controlar essas obsessões. A interface entre TOC e jogos, sejam eles digitais ou tradicionais, pode ser analisada à luz de teorias comportamentais, neurobiológicas e psicossociais, oferecendo uma compreensão mais profunda dos desafios e possibilidades dessa relação.


Do ponto de vista comportamental, a interação entre TOC e jogos pode ser compreendida pelo paradigma do reforço negativo. Compulsões são mantidas porque reduzem temporariamente o desconforto causado pelas obsessões. Jogos estruturados, especialmente aqueles que apresentam ciclos repetitivos de ações, recompensas contingentes e desafios progressivos, podem inadvertidamente reforçar padrões compulsivos. Por exemplo, a necessidade de completar um nível “perfeitamente” ou repetir tarefas para obter recompensas pode se alinhar aos mecanismos de repetição presentes no TOC, ativando circuitos comportamentais semelhantes aos que sustentam rituais compulsivos.


A perspectiva neurobiológica também contribui para a compreensão dessa relação. Estudos em neuroimagem indicam que indivíduos com TOC apresentam disfunções nos circuitos córtico-estriato-talâmicos, que regulam a inibição de respostas e a avaliação de erros. Jogos que enfatizam precisão, repetição e monitoramento contínuo de desempenho podem estimular esses circuitos, reforçando padrões de atenção detalhista, hiperfoco e respostas ritualizadas. Além disso, a ativação dopaminérgica em jogos com sistema de recompensas pode intensificar a busca por controle e repetição, fenômeno que se relaciona com os mecanismos de compulsão.


No campo da psicologia cognitiva, a relação entre TOC e jogos pode ser explicada pela teoria da supervalorização de pensamentos. Pessoas com TOC tendem a atribuir excessiva importância a pensamentos intrusivos e a sentir que precisam agir para evitar consequências catastróficas. Dentro de jogos, isso pode se manifestar como preocupação extrema com erros, necessidade de estratégias perfeitas e ansiedade diante de resultados imperfeitos. Assim, elementos do jogo que demandam planejamento rigoroso ou repetição de ações podem amplificar tendências cognitivas obsessivas.


Sob uma perspectiva psicossocial, jogos também oferecem um espaço seguro para experimentação de controle e previsibilidade, aspectos frequentemente desejados por indivíduos com TOC. Atividades lúdicas estruturadas podem funcionar como estratégias de coping, permitindo que a pessoa exerça controle em um ambiente delimitado e previsível, o que temporariamente reduz a ansiedade. Entretanto, essa função adaptativa pode se tornar disfuncional se o jogo passar a substituir interações sociais reais ou se reforçar padrões compulsivos de perfeccionismo e repetição.


Em termos de intervenção clínica, compreender a interface entre TOC e jogos é relevante para o planejamento terapêutico. Abordagens baseadas na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) podem integrar a análise do comportamento lúdico na identificação de gatilhos para compulsões, oferecendo estratégias de exposição e prevenção de resposta dentro do contexto de atividades estruturadas. Além disso, a psicoeducação pode ajudar o paciente a diferenciar atividades recreativas de comportamentos compulsivos, promovendo o uso equilibrado de jogos como recurso de lazer sem reforço de padrões obsessivo-compulsivos.


Portanto, a relação entre transtorno obsessivo e jogos deve ser abordada como um fenômeno multidimensional, envolvendo fatores cognitivos, comportamentais, neurobiológicos e sociais. Jogos podem tanto funcionar como ferramenta terapêutica e reguladora de ansiedade quanto potencializar tendências obsessivo-compulsivas, dependendo do contexto, do tipo de jogo e do perfil do indivíduo. Essa análise teórica permite compreender não apenas os riscos, mas também as oportunidades de intervenção, enfatizando a importância de estratégias conscientes para promover equilíbrio entre entretenimento, controle e bem-estar psicológico.


Recomenda-se que em situações de esgotamento procurar ajuda com profissionais especializados.


Parceria: Projeto Esporte Mais Inclusivo

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