Evandro Estebanez
A geopolítica do petróleo venezuelano e seus impactos
Benefícios econômicos diretos para o Brasil
A disputa pelo petróleo venezuelano voltou ao centro do tabuleiro geopolítico, e seus efeitos se projetam muito além de Caracas. O que está em jogo não é apenas a recuperação de um setor decadente, mas a redefinição de poder regional na América Latina e o grau de dependência do Ocidente em relação a regimes instáveis e autoritários.
Da potência promissora ao laboratório do socialismo bolivariano
Antes da ascensão do chavismo, a Venezuela era vista como uma potência energética em construção, com uma estatal tecnicamente respeitada e um ambiente relativamente previsível para o capital internacional. A PDVSA operava com autonomia técnica, atraindo investimentos estrangeiros para desenvolver as vastas reservas da Faixa do Orinoco, em um modelo que, embora estatal, dialogava com a lógica de mercado.
Com Hugo Chávez e seu projeto bolivariano, o petróleo foi transformado em instrumento político: por dentro, o aparelhamento da PDVSA, a expulsão de quadros técnicos e o uso da empresa como caixa de políticas populistas; por fora, o petróleo subsidiado virou ferramenta de influência ideológica sobre países dependentes de combustível barato. A consequência foi dupla: colapso produtivo e captura de governos vizinhos por meio de uma diplomacia energética que trocava barris por alinhamento político.
Sanções, colapso e narrativa de vítima
Nos últimos anos, a deterioração institucional, denúncias de fraude eleitoral e violações de direitos humanos levaram a sucessivas rodadas de sanções contra o regime venezuelano. O governo chavista-madurista passou a vender ao mundo uma narrativa conveniente: a culpa da miséria, da escassez e da destruição da infraestrutura seria exclusivamente do “cerco externo”, não de décadas de má gestão e corrupção. As sanções sobre o setor de petróleo apertaram o torniquete financeiro de um regime que já havia destruído sua principal fonte de riqueza. Ao mesmo tempo, criaram espaço para que outros atores – em especial Rússia, China e Irã – ampliassem presença nos campos venezuelanos, ganhando influência estratégica em pleno hemisfério ocidental, enquanto potências ocidentais recuavam.
Impactos para o Brasil e a América Latina
A administração Trump, fiel à Doutrina Monroe reafirmada em sua estratégia de segurança nacional, está reordenando o tabuleiro energético da América Latina com mão firme. A captura de Nicolás Maduro e o controle seletivo das receitas petrolíferas venezuelanas marcam o fim de uma era de conivência com regimes socialistas que usavam o petróleo como arma contra os interesses ocidentais.
Para o Brasil e vizinhos, isso significa não apenas alívio nos preços de combustíveis, mas uma oportunidade estratégica para romper com dependências ideológicas e econômicas impostas por Caracas e seus aliados autoritários.
Trump resgata o petróleo venezuelano das garras do socialismo
Com reservas comprovadas de 303 bilhões de barris – 20% do total mundial –, a Venezuela poderia ser um gigante energético, mas o chavismo-madurismo a transformou em relíquia decadente, com produção em apenas 1 milhão de barris/dia. Trump, ao anunciar que empresas americanas investirão bilhões para revitalizar a PDVSA e gerir as vendas de óleo, corta pela raiz a narrativa de vítima eterna do regime: as receitas agora beneficiarão "o povo americano e o venezuelano", sob discrição de Washington, não mais financiando repressão e narcotráfico.
Essa abordagem pragmática – sanções cirúrgicas contra evasores, tarifas de 25% a quem compra óleo venezuelano ilegal e isenções para fluxos controlados – expulsa influências externas que exploravam o caos para ganhar pé no hemisfério. É uma vitória conservadora clara: restaura a preeminência americana na região sem concessões ideológicas.
Benefícios econômicos diretos para o Brasil
No Brasil, onde a gasolina pesa no bolso do trabalhador e da classe média, o aumento controlado da oferta venezuelana – óleo pesado ideal para refinarias da Petrobras como REPAR e RPBC – promete queda de 5-10% nos preços de derivados em 2026-2027, se os investimentos fluírem. Com o Brent potencialmente sob US$ 60/barril, a paridade de importação da Petrobras transmite alívio imediato, combatendo a inflação e fortalecendo a soberania energética sem depender de cartéis ou subsídios populistas. Além disso, Trump abre portas para parcerias Brasil-EUA na exploração regional, neutralizando o risco de uma Venezuela revigorada sob controle chinês – que já detém campos chave – ameaçar exportações brasileiras para Ásia. Para o agro brasileiro, dependente de diesel barato, isso é oxigênio puro.
América Latina: fim da chantagem bolivariana
Na região, países caribenhos e centro-americanos, historicamente reféns do Petrocaribe, ganham fôlego: óleo acessível sem a trava de alinhamento ideológico ao socialismo. Cuba, aliada fiel de Maduro, sente o cerco com cortes em petróleo subsidiado, forçando reformas ou isolamento – um golpe bem-vindo contra exportadores de comunismo.
Governos de esquerda na região, incluindo resquícios no Brasil, perdem seu principal argumento: sem o "irmão maior" venezuelano financiando narrativas antiamericanas, o populismo energético enfraquece. Trump impõe tarifas a quem persistir comprando óleo ilícito, forçando alinhamento com regras de mercado livre e democracia.
Lições conservadoras para a prosperidade regional
A administração Trump prova que liderança forte – intervenção decisiva contra tiranos, parcerias com empresas americanas e sanções seletivas – restaura ordem e prosperidade onde o globalismo hesitante falhou. Para Brasil e América Latina, o recado é claro: alinhem-se ao Ocidente capitalista, diversifiquem energias e rejeitem o socialismo petrolífero que enriquece elites corruptas às custas do povo.
Desafios persistem: infraestrutura venezuelana exige US$ 58 bilhões e anos para plena recuperação, com riscos políticos. Mas sob Trump, o petróleo volta a ser ativo de liberdade, não de opressão – beneficiando trabalhadores brasileiros na bomba, fazendeiros no campo e nações livres contra o eixo autoritário. É hora de celebrar essa nova era hemisférica.
A geopolítica do petróleo venezuelano demonstra, mais uma vez, que a hesitação ocidental diante de regimes socialistas compromete a liberdade e a prosperidade regional. Sob a liderança resoluta da nova administração americana, o controle estratégico das reservas de Caracas não só pressiona os preços de combustíveis para baixo no Brasil e América Latina, aliviando o custo de vida do trabalhador comum, mas também restaura a soberania americana no hemisfério, priorizando o primado do mercado livre sobre concessões ideológicas. Para nações como o Brasil, o caminho conservador é evidente: alinhar-se a parcerias ocidentais robustas, rejeitar a chantagem bolivariana e converter essa abundância energética em motor de crescimento sustentável, sem ceder a populismos que beneficiam tiranos em detrimento do povo.
Evandro Estebanez é advogado, especializado em Petróleo e Gás pela COPPE/UFRJ, empresário e consultor internacional, Membro Acadêmico da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura e fundador da Brastax Consultoria Empresarial.



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