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IA brasileira leva diferentes tons de pele ao estudo de doenças negligenciadas


IA brasileira leva diferentes tons de pele ao estudo de doenças negligenciadas

Desenvolvida pelo Ministério da Saúde e pelo Einstein, a CUTIS-AI reúne mais de 4 mil imagens de lesões. Ainda em avaliação, a ferramenta foi pensada para apoiar profissionais do SUS, inclusive onde falta internet. Agência Brasil

Uma fotografia mostra a lesão. Não conta, sozinha, a história de quem chegou ao posto de saúde. Foi levando em conta essa diferença que o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveram a CUTIS-AI. A ferramenta combina imagens da pele com informações clínicas, dados sobre onde o paciente vive e as doenças que circulam na região. O objetivo é ajudar a equipe de saúde a decidir quais suspeitas merecem investigação, sobretudo onde há poucos dermatologistas. Agência Brasil.

Uma das decisões mais importantes do projeto veio antes do aplicativo: escolher com quais imagens a inteligência artificial aprenderia. O estudo reuniu 1.448 pacientes em dez unidades da Federação e mais de 4 mil fotografias de lesões. Segundo os dados divulgados pelo projeto, 79% dos participantes tinham pele classificada como morena ou negra. O percentual descreve os participantes da pesquisa; não é uma estimativa do perfil dos usuários do SUS. 


O que muda quando muda a base de imagens

Um sistema que aprende a reconhecer lesões a partir de fotografias pode ter desempenho diferente quando passa a avaliar pessoas pouco representadas em seu treinamento. Daí a importância de incluir, desde o início, os tons de pele que o profissional encontra no consultório. O levantamento também registrou as condições de vida dos participantes: quase um em cada cinco não tinha acesso a água tratada em casa. São informações que uma câmera, por melhor que seja, não consegue captar. Agência Brasil

O estudo registrou 111 manifestações cutâneas. Isso não significa que o aplicativo diagnostique 111 doenças. O projeto tem sete condições prioritárias: hanseníase, leishmaniose cutânea, esporotricose, cromoblastomicose, lobomicose, tuberculose cutânea e lesões provocadas por picada de aranha-marrom. A proposta é apoiar a triagem. Cabe ao profissional interpretar os sinais e definir como prosseguir com a avaliação. viva.com.br


O teste que importa acontece no atendimento

A equipe ouviu profissionais da atenção básica para desenvolver o aplicativo. Uma escolha atende a uma dificuldade concreta: ele pode funcionar sem conexão com a internet. Em uma unidade com sinal instável, essa característica pode fazer a diferença entre conseguir consultar a ferramenta durante o atendimento ou ter de deixá-la de lado. O aplicativo segue em estudo, sem data anunciada para chegar à rede pública. Agência Brasil

A diversidade do acervo é um ponto de partida. O próximo passo é mostrar em quais condições o sistema acerta, onde falha e se o desempenho se mantém entre diferentes tons de pele. Para o SUS, a medida de sucesso estará no percurso do paciente: uma suspeita bem investigada já no primeiro atendimento e, quando necessário, um encaminhamento que o aproxime do cuidado de que precisa.




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