Na Chapada de Minas, pequenos cafeicultores vendem juntos mais de 600 sacas
Em Angelândia, cerca de 30 produtores familiares reuniram a safra para negociar diretamente com compradores. A cooperativa agora busca a certificação de comércio justo. Rádio Itatiaia
Uma carga de café pode ser grande demais para quem vende e pequena demais para quem compra. Em Angelândia, no Vale do Jequitinhonha, esse desencontro ajuda a explicar por que cerca de 30 cafeicultores familiares decidiram reunir a produção. Na safra de 2026, a Cooperativa dos Pequenos Produtores de Angelândia e Região da Chapada de Minas (Coopacha) recebeu quase 2 mil sacas em depósito. Mais de 600 já foram vendidas em conjunto. Rádio Itatiaia
A mudança começa na hora de fazer negócio. Por conta própria, um agricultor pode ter café de boa qualidade e ainda assim não conseguir completar o volume de um pedido. Pela cooperativa, sua produção pode compor uma entrega maior, negociada diretamente com o comprador. Para uma família com pouca terra, é uma maneira de disputar uma venda maior sem precisar ampliar a lavoura. Rádio Itatiaia
O que uma saca premiada conta sobre a safra
No Sítio Aroeira, o cafeicultor Alessandro Moreira Santiago, presidente da Coopacha, cultiva as variedades Catuaí e Arara com irrigação por gotejamento. Seu café ficou em segundo lugar na categoria Origens do 5º Prêmio de Qualidade dos Cafés da Região da Chapada de Minas. No leilão, uma saca alcançou R$ 10,2 mil. Rádio Itatiaia
O lance dá visibilidade à propriedade, mas diz pouco sobre quanto a família recebe pelo restante da colheita. Para a cooperativa, o trabalho que se repete a cada venda é identificar o que cada produtor tem a oferecer e encontrar quem procura aquele perfil de café. Segundo o balanço divulgado, 75% dos lotes comercializados receberam a classificação bebida dura. A informação descreve uma característica da bebida; saber quanto ela rendeu aos agricultores exige conhecer também o preço acertado e as despesas da operação. Rádio Itatiaia
Um nome na saca e um lugar na negociação
Em fevereiro de 2026, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu à Chapada de Minas a Indicação de Procedência para café. Angelândia integra a área reconhecida, que abrange 22 municípios mineiros. Segundo o Sebrae Minas, o território reúne cerca de 5,8 mil produtores e tem produção anual estimada em 400 mil sacas. A Coopacha representa uma pequena parcela dessa economia, mas atua justamente onde o tamanho de cada propriedade pesa mais: na negociação depois da colheita. revistas.inpi.gov.br
O reconhecimento da origem e o próximo objetivo da cooperativa são conquistas distintas. A Indicação de Procedência já identifica a região produtora. A certificação Fairtrade, de comércio justo, ainda é uma meta do grupo, que conta com orientação do Sebrae Minas. Para os cooperados, a perspectiva é poder apresentar seu café também a compradores que procuram produtos certificados. Por enquanto, o resultado concreto está nas mais de 600 sacas que já encontraram mercado pela venda coletiva. revistas.inpi.gov.br
O próximo balanço da Coopacha terá mais a revelar se, ao lado das sacas vendidas, trouxer duas informações: quanto voltou a cada família depois do frete e do armazenamento, e quantos compradores fizeram um segundo pedido. É aí que a experiência de Angelândia ganha importância para o Vale do Jequitinhonha. Uma venda enche um caminhão. Um comprador que volta dá a quem planta melhores condições de planejar a próxima safra.




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