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O viaduto mudou a avenida. E se agora mudássemos o que ficou embaixo?

Fotografias históricas e novas ideias de urbanização convidam moradores, comerciantes e autoridades a repensar os espaços sob o Elevado Paulo de Frontin, no Rio Comprido


O viaduto mudou a avenida. E se agora mudássemos o que ficou embaixo?

Houve um tempo em que a Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, apresentava uma paisagem bem diferente da atual. Fotografias antigas mostram uma via arborizada, com o canal aberto, calçadas e edifícios que mantinham uma relação direta com a rua.


A construção do elevado modificou profundamente essa paisagem. A estrutura passou a integrar um importante corredor de circulação de veículos, mas também criou uma nova realidade para quem mora, trabalha ou caminha sob ela.


Décadas depois, vale fazer uma pergunta: será que não chegou a hora de olhar com mais atenção para a cidade que ficou embaixo?


O QUE PODERIA MUDAR?

Uma proposta de requalificação de espaços sob viadutos, divulgada nas redes sociais pelo perfil SSS Arquitectura, oferece um exercício interessante de imaginação urbana. Em uma sequência de imagens produzidas com inteligência artificial, áreas dominadas pelo concreto recebem iluminação, pisos coloridos, vegetação, bancos e caminhos destinados aos pedestres.


A proposta não foi desenvolvida para o Rio de Janeiro, tampouco representa uma obra aprovada. Mas ajuda a visualizar como lugares frequentemente tratados apenas como espaços de passagem poderiam ganhar outras funções.


No caso da Avenida Paulo de Frontin, seria possível estudar melhorias de iluminação, acessibilidade, travessias, paisagismo e convivência, respeitando as condições do canal, do tráfego e da estrutura do elevado.


Não se trata de transformar toda a extensão da avenida num parque. Diferentes trechos podem exigir soluções diferentes. O importante é perguntar como melhorar a experiência de quem utiliza esses espaços diariamente.


QUANDO A RUA MELHORA, O BAIRRO TAMBÉM PODE GANHAR

A recuperação dos espaços públicos pode produzir resultados que vão além da aparência.


Uma rua mais agradável, segura e frequentada oferece melhores condições para o comércio e os serviços. Pode estimular a ocupação de imóveis, atrair novos empreendimentos e reforçar o interesse de famílias em morar na região.


Restaurantes, clínicas, escolas, atividades culturais e até alternativas de hospedagem poderiam encontrar oportunidades num ambiente urbano mais acolhedor. São possibilidades, não consequências automáticas de uma intervenção paisagística.


Afinal, quantas atividades deixam de prosperar em determinados lugares não por falta de localização, mas porque o ambiente ao redor perdeu parte de sua capacidade de atrair pessoas?


Há também uma preocupação indispensável: a valorização do território deve beneficiar os moradores e comerciantes que já estão ali, evitando que a melhoria do espaço público se transforme em motivo para sua expulsão.


QUEM CONHECE A AVENIDA TEM O QUE DIZER

Qualquer proposta para a Paulo de Frontin precisaria considerar questões práticas: segurança pública, ruído, poluição, drenagem, manutenção, circulação de pedestres e veículos, além das necessidades dos estabelecimentos e das famílias que vivem nas proximidades.


É justamente por isso que a conversa não deveria ficar restrita a gabinetes ou escritórios de arquitetura.


Associações de moradores, comerciantes, universidades, profissionais de urbanismo e representantes do poder público poderiam identificar os trechos mais problemáticos, discutir alternativas e avaliar intervenções de diferentes dimensões.


Talvez algumas melhorias sejam relativamente simples. Outras podem exigir investimentos e soluções técnicas mais complexas. Antes de decidir, porém, seria preciso ouvir quem convive com a avenida todos os dias.


E SE A IDEIA SE ESPALHASSE PELO RIO?

O Elevado Paulo de Frontin não é o único lugar da cidade onde grandes estruturas viárias convivem com espaços públicos que merecem atenção.


A experiência de repensar sua área inferior poderia estimular conversas semelhantes em outros bairros, sempre respeitando as características de cada território.


A TRIBUNA DA IMPRENSA apresenta essa reflexão sem pretender substituir um projeto urbanístico, mas com a convicção de que boas perguntas podem ajudar a aproximar moradores, especialistas e autoridades.


O elevado foi construído para facilitar a passagem de quem está em movimento. E se agora dedicássemos mais atenção à vida de quem permanece ao seu redor?


A pergunta fica para quem conhece o Rio Comprido, o Estácio e a Tijuca: o que você mudaria nos espaços sob o Elevado Paulo de Frontin?






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