STF termina sessão em 4 a 3 após pedido de vista de Dino, entenda o que aconteceu
Julgamento chegou a registrar divisão de 4 a 4 sobre a análise dos casos Moraes e Mendonça, mas voto de Flávio Dino deixou de integrar o placar provisório após pedido de vista
O Supremo Tribunal Federal encerrou nesta terça-feira (15) uma sessão extraordinária marcada por fortes divergências internas e sem chegar ao ponto central que havia levado o caso ao Plenário: a possibilidade de abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Antes de avançar sobre essa questão, os ministros passaram a discutir uma preliminar: os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam continuar separados ou ser analisados conjuntamente? A discussão ganhou importância porque Fachin havia organizado os procedimentos separadamente, com o caso Moraes pautado para esta terça e o de Mendonça previsto para o dia 23.
COMO O PLACAR CHEGOU A 4 A 4
Pela manutenção dos casos separados se posicionaram Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Pela reunião dos procedimentos se manifestaram Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Naquele momento, portanto, havia uma divisão de 4 a 4 entre os oito ministros participantes da deliberação. Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques não participaram da votação.
POR QUE O 4 A 4 VIROU 4 A 3?
A explicação está no pedido de vista.
Flávio Dino havia manifestado posição favorável à reunião dos casos, mas pediu vista antes da conclusão do julgamento. Com isso, sua manifestação deixou de integrar o placar provisório formal da sessão suspensa.
O resultado passou a aparecer, portanto, como 4 votos a 3 pela manutenção dos julgamentos separados, mais o pedido de vista de Dino. Isso não significa que o ministro tenha mudado de posição. Seu voto simplesmente não permaneceu computado enquanto ele está com o processo para exame.
Em linguagem simples: o debate chegou politicamente a 4 a 4, mas o julgamento foi suspenso processualmente em 4 a 3.
E AGORA?
O pedido de vista interrompe a deliberação e Dino poderá devolver o processo antes do limite regimental. O prazo máximo aplicável ao pedido de vista é de 90 dias, após o qual os autos devem ser liberados para continuidade do julgamento.
Isso não significa necessariamente que o STF ficará 90 dias parado. Dino pode devolver o processo antes.
A situação produz, porém, uma peculiaridade: o Supremo passou horas reunido para decidir uma questão que antecede o próprio núcleo do julgamento e terminou sem resolvê-la.
Antes de discutir definitivamente se há fundamento para investigar Moraes, o Tribunal terá de resolver como os casos serão julgados: separadamente ou em conjunto.
A próxima questão prática recai sobre Fachin. O julgamento relacionado a Mendonça estava previsto para 23 de setembro. Agora, com o pedido de vista e a controvérsia sobre a eventual reunião dos procedimentos ainda sem solução, caberá à Presidência da Corte definir como a pauta prosseguirá.
O julgamento começou. O mérito, porém, terá de esperar.




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