Rodrigo Rocha
Onde o Desenvolvimento Pode Transformar o Rio de Janeiro
Os municípios que hoje enfrentam os maiores desafios podem se tornar a principal fronteira de crescimento do estado
O futuro econômico do Rio de Janeiro não será decidido apenas na capital, nem nos municípios que hoje concentram riqueza. Ele dependerá, cada vez mais, da capacidade de desenvolver cidades que ainda aparecem nas estatísticas pelos desafios que enfrentam, mas que podem se transformar nos novos polos de crescimento do estado.
Essa mudança de perspectiva nos leva a uma pergunta simples: em vez de identificar apenas os municípios mais pobres, por que não identificar aqueles com maior capacidade de transformar investimentos em desenvolvimento?
O desenvolvimento não acontece por acaso. Ele é resultado de escolhas. Cidades que hoje são referências econômicas, industriais ou logísticas também enfrentaram dificuldades no passado. O que mudou sua trajetória foi a combinação de infraestrutura, investimento, segurança jurídica, qualificação profissional e continuidade.
UMA NOVA FORMA DE OLHAR O MAPA FLUMINENSE
Foi essa lógica que me levou ao conceito de Municípios-Oportunidade. Não se trata de ignorar os desafios sociais nem de construir um ranking otimista. A proposta é identificar cidades onde investimentos bem direcionados possam produzir um efeito transformador para a economia local e regional.
Japeri reúne condições para consolidar um polo logístico na Região Metropolitana. Magé pode integrar turismo, patrimônio histórico e mobilidade. Belford Roxo possui localização estratégica para atrair novas atividades industriais e de serviços. No Norte Fluminense, São Francisco de Itabapoana apresenta potencial para ampliar sua participação no agronegócio e na economia da energia. Varre-Sai e São José de Ubá mostram como pequenos municípios podem construir cadeias produtivas altamente especializadas. Sumidouro reúne condições para fortalecer a agricultura de valor agregado e o turismo rural. Mesquita, Nilópolis e Aperibé também apresentam oportunidades que merecem planejamento e investimentos.
INVESTIR NAS VOCAÇÕES DE CADA CIDADE
Cada município exige uma estratégia própria. Não existe um modelo único de desenvolvimento. O que existe é um princípio simples: investir nas vocações de cada território costuma produzir resultados mais consistentes do que aplicar soluções padronizadas.
Uma estimativa entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões, distribuídos ao longo da próxima década, poderia induzir investimentos em infraestrutura, logística, saneamento, educação técnica, inovação e agroindústria nesses municípios. Mais importante do que o valor é a capacidade de reunir governos, iniciativa privada, universidades, cooperativas, instituições financeiras e organizações da sociedade civil em torno de projetos consistentes.
UMA AGENDA PARA ALÉM DOS MANDATOS
Defender o desenvolvimento regional não é defender um governo ou um partido. É defender uma agenda permanente, capaz de atravessar diferentes administrações e beneficiar a população independentemente de quem esteja no poder.
O Rio de Janeiro não precisa apenas administrar seus problemas. Precisa descobrir onde estão suas melhores oportunidades de crescimento.
Quando mudamos a pergunta, mudamos também o horizonte. Em vez de olhar apenas para as carências, passamos a enxergar potencialidades. Em vez de administrar dificuldades, começamos a construir oportunidades.
Talvez seja esse o primeiro passo para um Rio de Janeiro mais equilibrado, competitivo e preparado para o futuro.




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