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Fernando Peregrino

UFRJ um laboratorio aberto de inovacao

UFRJ inova na gestão

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UFRJ um laboratorio aberto de inovacao Fernando Peregrino

UFRJ: um laboratório aberto de inovação

    A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) iniciou, com o I Concurso de Soluções Inovadoras, um movimento que vai além de uma iniciativa administrativa: trata-se de um reposicionamento institucional. A proposta é simples e estratégica — transformar os problemas cotidianos da universidade em oportunidades de inovação.

    Como uma das maiores universidades do país, a UFRJ reúne, em seus campi, desafios típicos de grandes cidades, como segurança, mobilidade, gestão de resíduos, alimentação, conectividade, uso eficiente de água e energia e saúde mental. Ao estruturar essas questões como desafios organizados, o concurso mobiliza a comunidade acadêmica para propor soluções concretas.

    Esse modelo aproxima a universidade do conceito de living labs, ambientes onde soluções são desenvolvidas e testadas em condições reais. Assim, a UFRJ deixa de ser apenas espaço de ensino e pesquisa para se afirmar também como um território de experimentação. Com alta densidade de pesquisadores, laboratórios e competências técnicas, a universidade se configura como um dos maiores laboratórios urbanos do país.

    A iniciativa cria um ciclo virtuoso: problemas se transformam em demandas de inovação; soluções são desenvolvidas com potencial de aplicação imediata; gera-se conhecimento aplicado; e abre-se a possibilidade de replicação em outras instituições públicas.

    Os dados parciais do concurso já revelam uma dinâmica relevante. Já são mais de 104 propostas inscritas para dar conta dos 7 desafios. Considerando os estudantes como base 100, os índices de participação são: discentes (100), técnicos administrativos (233) e docentes (305). O resultado indica maior engajamento proporcional de docentes e técnicos — segmentos mais próximos da operação cotidiana da universidade e, portanto, mais sensíveis aos seus problemas.

    A menor participação relativa dos estudantes não deve ser vista como desinteresse, mas como um desafio de mobilização, inclusive de suas representações que apoiam o Concurso.

    O concurso cumpre ainda funções estratégicas importantes: mobiliza a comunidade universitária, organiza a demanda por inovação e cria um pipeline de projetos. Esses projetos podem evoluir por meio de instrumentos legais já existentes, como a contratação de soluções inovadoras prevista no Marco Legal das Startups e na Lei de Inovação. Assim, o processo não termina na seleção de ideias, mas pode avançar para desenvolvimento, teste e contratação.

    O potencial da iniciativa vai além da UFRJ. Se consolidado, o modelo pode inspirar outras universidades públicas, contribuindo para enfrentar um desafio central do país: transformar conhecimento científico em soluções concretas.

    Mais do que números, o que está em curso é uma mudança de paradigma. A UFRJ caminha para se afirmar como uma universidade que não apenas ensina e pesquisa, mas também resolve problemas.

    Ao consolidar esse modelo, poderá se posicionar na vanguarda de uma nova geração de instituições públicas — mais conectadas com a realidade, orientadas a resultados e comprometidas com a transformação da sociedade, como costuma afirmar o reitor Roberto Medronho. 

Fernando Peregrino

Pró-reitor de Gestão e Governança da UFRJ

 



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