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Quem enxergou a eleição antes das urnas?

Lula conquista o quarto mandato, supera as estimativas centrais de importantes pesquisas de véspera e surpreende mercados preditivos que apontavam Flávio Bolsonaro como favorito


Quem enxergou a eleição antes das urnas?

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste domingo (25) contrariou as estimativas centrais de importantes pesquisas divulgadas na véspera do segundo turno e surpreendeu os mercados preditivos, que apontavam Flávio Bolsonaro (PL) como favorito.


Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 21h44, com 99,93% das seções totalizadas, Lula somava 64.202.694 votos, equivalentes a 51,77% dos votos válidos. A eleição já estava matematicamente definida, embora a totalização ainda não tivesse sido concluída.


O QUE DIZIAM AS PESQUISAS?

Na véspera da votação, Datafolha e Quaest apresentavam Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos, contra 49% de Lula. O AtlasIntel indicava 50,8% a 49,2%, enquanto o levantamento CNT/MDA registrava 50,7% a 49,3%.


As diferenças estavam dentro das margens de erro informadas pelos institutos, caracterizando situações de empate técnico. Ainda assim, as estimativas centrais desses levantamentos apontavam na direção contrária ao resultado das urnas.


E OS MERCADOS PREDITIVOS?

Na manhã da eleição, a plataforma Polymarket atribuía aproximadamente 79,6% de probabilidade de vitória a Flávio Bolsonaro.


Diferentemente das pesquisas de intenção de voto, os mercados preditivos refletem negociações financeiras sobre a probabilidade de determinados acontecimentos.


A preferência dos participantes por um candidato não garante sua vitória. O contraste entre as expectativas negociadas e o resultado eleitoral, entretanto, merece investigação.


O QUE MUDOU ENTRE AS PESQUISAS E AS URNAS?

A diferença pode estar relacionada ao comparecimento dos eleitores, à composição das amostras, aos modelos estatísticos ou a mudanças de preferência nos últimos dias de campanha.


Até o momento, não há elementos suficientes para determinar qual desses fatores teve maior influência.


Os resultados também mostram uma recomposição expressiva da votação entre os dois turnos nas maiores capitais do Sudeste.


Na cidade de São Paulo, Lula passou de aproximadamente 3,05 milhões para 3,86 milhões de votos. No município do Rio de Janeiro, avançou de 1,52 milhão para 1,90 milhão, revertendo a vantagem que Flávio Bolsonaro havia conquistado no primeiro turno.


Esses números demonstram mudanças na distribuição dos votos, mas não permitem identificar individualmente quais eleitores alteraram suas preferências.


O QUE FICA PARA INVESTIGAR?

O resultado recoloca em discussão a capacidade das pesquisas eleitorais e dos mercados preditivos de antecipar disputas presidenciais apertadas.


A avaliação exigirá comparar metodologias, datas de coleta, margens de erro, comparecimento e comportamento regional do eleitorado.


Lula conquistou o quarto mandato presidencial. A apuração das razões pelas quais diferentes instrumentos de previsão apontaram para outro resultado ainda está por ser feita.





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