ELEIÇÕES 2026: o tamanho da escolha
Mais de 20 mil registros de candidaturas ajudam a dimensionar a eleição que vai definir presidente, governadores, senadores e milhares de representantes nos estados
A eleição brasileira costuma ser observada pelos nomes que ocupam as pesquisas, pelos debates e pelas alianças partidárias. Mas há outro modo de compreender o processo eleitoral de 2026: olhar para o tamanho do tabuleiro.
Dados disponibilizados pela Justiça Eleitoral no sistema DivulgaCandContas mostram 20.798 registros de candidaturas distribuídos entre os diferentes cargos em disputa no país.
São 13 candidatos a presidente e 13 a vice-presidente, além de 198 registros para governador e 203 para vice-governador. Para o Senado, aparecem 318 candidatos, acompanhados por 330 primeiros suplentes e 333 segundos suplentes.
É, entretanto, nas disputas proporcionais que o tamanho da eleição se torna mais evidente. São 7.738 candidatos a deputado federal, 11.222 a deputado estadual e outros 430 a deputado distrital.
O RIO DENTRO DA ELEIÇÃO
No Estado do Rio de Janeiro, o mesmo levantamento registra 2.035 candidaturas.
A disputa pelo Palácio Guanabara reúne nove candidatos a governador, enquanto 17 concorrem ao Senado. A maior quantidade novamente aparece nas eleições proporcionais: são 789 candidatos a deputado federal e 1.175 a deputado estadual.
Os números ajudam a explicar também a enorme quantidade de informações que chegará ao eleitor nas próximas semanas. São milhares de candidaturas, propostas, coligações, programas, declarações e campanhas disputando simultaneamente atenção.
MAIS DO QUE NOMES
O DivulgaCandContas permite ir além da relação de candidatos. A plataforma da Justiça Eleitoral reúne registros das candidaturas, declarações, atas partidárias, dados de prestação de contas e documentos apresentados no processo eleitoral.
É nesse acervo que também começam a aparecer os programas de governo apresentados pelas candidaturas aos cargos executivos.
E talvez esteja aí uma das partes mais importantes da eleição. Enquanto campanhas disputam atenção por meio de slogans, vídeos e declarações, os documentos registrados perante a Justiça Eleitoral oferecem outra possibilidade de leitura: comparar aquilo que cada candidatura formalmente apresenta como projeto para governar.
No Rio de Janeiro, alguns desses documentos já revelam propostas extensas e detalhadas. O plano apresentado pela candidatura do Coronel Busnello, por exemplo, possui 81 páginas e aborda desde segurança pública e saúde até mobilidade, desenvolvimento regional, agroindústria, matriz energética, ciência e tecnologia.
Outras candidaturas ainda estão completando ou atualizando a documentação disponível no sistema eleitoral.
UM ESPECIAL PARA AJUDAR A ESCOLHER
Nas próximas semanas, a TRIBUNA DA IMPRENSA acompanhará esses documentos.
A proposta não será reproduzir programas eleitorais nem transformar dezenas de páginas em propaganda involuntária. Será fazer o contrário: ler, organizar, comparar
e separar aquilo que efetivamente pode interessar ao cidadão.
Quais são as propostas para segurança?
Como pretendem financiar novos investimentos?
Que lugar o interior ocupa nos programas?
Há metas e prazos?
O que depende do Governo Federal ou dos municípios?
E, talvez tão importante quanto aquilo que está escrito: o que os candidatos deixaram de discutir?
Com milhares de candidatos disputando a atenção do país, acompanhar tudo seria praticamente impossível. Selecionar o que realmente importa é justamente o trabalho do jornalismo.





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