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Terremoto no Peru: Magnitude elevada, poucos impactos aparentes e nenhuma ameaça de tsunami

Abalo desta quinta


Terremoto no Peru: Magnitude elevada, poucos impactos aparentes e nenhuma ameaça de tsunami

Um forte terremoto atingiu o sul do Peru nesta quinta-feira, 20 de agosto, poucos dias depois de a TRIBUNA DA IMPRENSA publicar a reportagem “O planeta está mais agitado?”, que analisou 25 anos de terremotos, tsunamis e eventos climáticos.


O Instituto Geofísico do Peru (IGP) informou magnitude 7,2, com epicentro próximo a Coracora, na região de Ayacucho, e profundidade superior a 100 quilômetros. O USGS apresentou estimativa inicial diferente, de magnitude 6,7 e aproximadamente 67 quilômetros de profundidade — divergências que podem ocorrer nas primeiras análises de grandes eventos sísmicos.


O tremor foi sentido em uma extensa área do sul peruano e também houve relatos em regiões vizinhas. Até as primeiras avaliações, não haviam sido confirmadas vítimas ou danos de grande proporção.


Também não foi identificada ameaça de tsunami.


MAGNITUDE NÃO É SINÔNIMO DE DESTRUIÇÃO

O episódio oferece uma demonstração importante de como terremotos precisam ser interpretados.


Magnitude mede a energia liberada pelo evento. Os danos, entretanto, dependem também da profundidade, distância dos centros urbanos, características do solo, qualidade das construções e capacidade de resposta das autoridades.


Um terremoto muito forte e profundo pode causar menos destruição na superfície do que outro de magnitude inferior ocorrido a poucos quilômetros de profundidade e próximo a áreas densamente povoadas.


O caso peruano também reforça outra distinção importante: um grande terremoto não produz automaticamente um tsunami. Para isso, localização, mecanismo da ruptura e deslocamento do fundo oceânico são determinantes.


O QUE PODE ACONTECER COM A ECONOMIA?

Mesmo quando não existem grandes colapsos visíveis nas primeiras horas, um terremoto dessa magnitude exige inspeções em estradas, pontes, escolas, hospitais, redes de energia, água e telecomunicações.


É nessa avaliação que começa a aparecer o verdadeiro impacto socioeconômico. Interrupções de estradas podem dificultar o transporte de mercadorias e produtos agrícolas. Danos em sistemas de água ou energia afetam famílias e empresas. Escolas e unidades de saúde podem precisar ser temporariamente interditadas até que sua segurança estrutural seja confirmada.


Se as avaliações dos próximos dias identificarem danos relevantes, começa uma segunda etapa: recuperação e reconstrução.


Recursos públicos passam a ser direcionados para infraestrutura crítica, assistência às famílias, recuperação de moradias e restabelecimento de serviços. No curto prazo, isso pode representar perda de renda, interrupção de atividades econômicas e pressão sobre os orçamentos públicos.


No médio prazo, obras de reconstrução também movimentam construção civil, comércio e emprego regional. O saldo econômico, entretanto, depende da dimensão dos danos e da velocidade com que infraestrutura e serviços conseguem voltar a funcionar.


Por isso, o custo de um terremoto não deve ser medido apenas pelo número de edifícios destruídos.


Uma estrada interrompida, um hospital inacessível ou uma rede de abastecimento paralisada também produzem perdas econômicas e sociais.


OS ANDES CONTINUAM EM MOVIMENTO

O terremoto não constitui, por si só, evidência de que a atividade sísmica mundial esteja aumentando.


O Peru está situado numa das regiões tectonicamente mais ativas do planeta, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. Essa interação está diretamente relacionada à formação dos Andes e à recorrência de grandes terremotos ao longo da costa pacífica sul-americana.


Uma sequência de acontecimentos impressionantes pode chamar atenção. Mas somente séries históricas permitem identificar uma tendência.


Foi justamente essa a conclusão da reportagem publicada pela TRIBUNA: sensação não é tendência. O episódio peruano acrescenta agora uma nova dimensão à discussão.


Além de perguntar quantos terremotos acontecem, é preciso observar onde acontecem, a que profundidade, quem está exposto e quanto custa recuperar um território depois que a terra para de tremer.


É nessa diferença entre fenômeno natural e desastre social que prevenção, engenharia, planejamento territorial e sistemas de contingência passam a fazer toda a diferença.




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