Em livro, melhor amigo afirma que “melhor Pelé” esteve fora de campo


“Foi por livre e espontânea pressão da minha mulher e minhas filhas [risos]”, brincou Pepito em entrevista à TV Brasil.
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“Pelé, o legado desconhecido” foi lançado no Museu Pelé, em Santos (SP). A obra, de 160 páginas, traz 26 capítulos com histórias que vão do primeiro contato entre autor - à época, músico profissional - e o Atleta do Século, em 1962, até a morte do ídolo, em 2022, aos 82 anos, por consequência de um câncer de cólon.
“Em 1967, fui trabalhar na Varig [primeira companhia aérea a operar voos comerciais no Brasil] e nomeado promotor de vendas em Santos. Meu chefe lançou um desafio: conquistar o contrato do Santos [Futebol Clube], para eles viajarem com a gente. Finalmente, consegui. Foi em junho de 1969. Eles tinham um jogo na Itália [Recopa Mundial, contra a Inter de Milão]. E, como prêmio, a Varig me mandou junto”, recordou Pepito.
“Na volta, o Santos mandou uma carta para a Varig agradecendo e dizendo que, se fossem continuar voando com a empresa, era para eu ir junto. Não parei mais de viajar. E nessas viagens, a gente não se desgrudou mais. E em 1971, quando parou de jogar pela seleção brasileira, o Pelé me convidou formalmente para trabalhar com ele. E comprou meu passe [risos]”, continuou.
Pepito viu de perto o carinho que Pelé recebia mundo afora, sendo reconhecido por pessoas de todas as idades e nacionalidades. Segundo o autor, o Rei do Futebol tinha um carisma que nenhum dos grandes jogadores da atualidade possui. Ele acredita, porém, que o lado generoso do Atleta do Século foi pouco difundido em vida.
“Ele tinha um coração maior que o [estádio do] Pacaembu. Algumas histórias do que ele fazia de bem para os outros e que ninguém soube, eu conto no livro. Por exemplo, ele construiu creches em Guarujá [SP] e São Vicente [SP], construiu e manteve um asilo, [deu] dezenas de bolsas de estudo em universidades, pagou passagem e hotel para pessoas com doenças graves operarem fora”, descreveu, lembrando também de outra característica do amigo: a teimosia.
“A nossa convivência foi muito fraterna. A gente não brigava, mas discutia muito [risos]. Eu falava o que ele precisava ouvir, não o que gostaria de ouvir. Para mim, ele não era o Pelé, mas o Edson. Acho que [após lerem o livro] as pessoas vão olhar o Pelé de outra forma e ver o quanto ele foi gigante também fora de campo”, finalizou Pepito.



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